Forma de ser contada: Narrativa em forma de Crônica.
Passado
A história se passa no ano de 2021, acompanhando a vida de uma pessoa chamada Tallyson.R.
A partir deste ponto, Tallyson.R será referido apenas como TR.

TR era um ser humano comum, como tantos outros.
Não havia nada de extraordinário nele, nenhuma diferença marcante, nenhum traço fora do normal.
Apenas vivia sua vida de forma simples, comum.

TR tinha dois grandes amigos, aqueles que considerava os melhores.
O nome deles serao ocultos, mas, por enquanto, será revelado um deles.
A outra era uma garota, vamos apenas chamá-la de Hakori.

Já o outro amigo chamava-se Raffael.
Ele e TR eram inseparáveis, sempre muito felizes quando estavam juntos. Raffael tinha um talento especial para a arte e, com paciência, ensinava TR a desenhar, já que era um ótimo artista.Apaixonado por carros e artes marciais, Raffael até treinava boxe com luvas, levando o hobby a sério.
Havia também outra paixão em comum entre ele e TR: as armas de fogo. É claro, nada perigoso, ambos apenas se divertiam criando réplicas improvisadas com papel, papelão, madeira ou isopor. Eram brincadeiras de infância, nada além disso.

Os dois eram uma espécie de “vagabundos”: não se prendiam a nada, não se importavam com regras e adoravam zoar de tudo, até das coisas mais pesadas ou até racistas.
Mas, apesar disso, eram humildes e pessoas de bom coração.Raffael, TR e HakoriTodos os três ficam juntos, e a rotina era quase sempre repetitiva. Raramente surgia algo fora do comum.
Em um dia específico, Raffael e TR estavam por ai na rua com “armas de madeira falsas”. Ninguém estava por perto para ver, exceto uma pessoa que parecia não ter importância, um mendigo, aparentemente drogado. Curiosamente, ele parecia acreditar que tudo era real, como se estivessem realmente em um tiroteio.
Um ano depois, TR caminhava pela cidade a caminho de um mercado.
Na volta, ao atravessar um beco, encontrou novamente aquele mesmo mendigo.O homem, ainda preso às ilusões que o consumiam, estava convencido de que TR havia atirado em alguém naquele dia distante. Apavorado pela lembrança distorcida e tomado pelo medo, reagiu de forma brutal: atacou TR com uma faca, acertando-lhe a garganta e o peito.
Sem nada dizer, deixou-o ali, caído.
Futuro.Em um tempo distante, existia uma versão alternativa de TR, bem diferente daquele que um dia fora chamado de “vagabundo”.
Esse TR havia dedicado sua vida a um único propósito: trabalhar em um dispositivo misterioso.A máquina tinha um objetivo ousado — permitir que ele visse universos alternativos, cada escolha que poderia ter feito, cada caminho certo que talvez o livrasse dos acontecimentos miseráveis que o destino lhe impôs.Mas, naquele ponto de sua vida, TR do futuro não tinha nada de glorioso. Lutava todos os dias, mas nada parecia dar certo. Vivia em condições miseráveis, esquecido pelo mundo, sem amigos ou família.
Era apenas ele e sua invenção, a última esperança de mudar um destino que parecia inevitável.
Dias depois, TR alternativo já não comia, não bebia e mal dormia. Estava obcecado, concentrado apenas em concluir seu projeto. Até que, exausto e com as mãos trêmulas, acreditou finalmente ter conseguido montá-lo por completo.Colocou o dispositivo em uma máquina maior, acionou-a e, para sua surpresa, ela funcionou. A tela mostrava o próximo passo para que ele pudesse alcançar um futuro melhor.
A instrução era simples: “Vá até uma loja. O resto o mundo fará por você.”TR obedeceu. Na loja, comprou apenas algo para comer. Porém, na saída, a tranquilidade se quebrou: o lugar foi assaltado. O ladrão acreditava estar sozinho ali, mas TR se abaixou e improvisou — jogou uma lata para distrair o criminoso.
Enquanto o homem se virava, TR deu a volta por uma prateleira, empurrou um carrinho de supermercado contra ele e, no impacto, aproveitou para render o assaltante por trás. Conseguiu arrancar a arma de suas mãos, derrubá-lo e imobilizá-lo até a chegada da polícia.O dono da loja, grato, deixou que TR levasse sua compra sem pagar. Mais que isso: nasceu ali uma amizade inesperada.
Ao ver aquilo, TR entendeu que sua máquina estava funcionando de verdade. Correu para casa, decidido a apresentá-la ao governo, para que o mundo pudesse melhorar.Antes disso, resolveu testá-la mais vezes. E em cada tentativa, a máquina acertava. Uma das instruções foi simples: “Recicle. Limpe as ruas.” TR obedeceu, e o resultado foi positivo.
Na vez seguinte, a máquina o orientou a ir até um riacho e retirar uma barragem de lixo acumulado.Ele foi. E, entre sacolas e detritos, encontrou algo inesperado: uma pérola estranha, que parecia emitir trevas, uma escuridão palpável em forma de esfera. Sua aura obscura quase pulsava nas mãos de TR.Ele a guardou consigo.
E, olhando para sua invenção, declarou:
— Essa máquina é a melhor coisa que já criei


Ao chegar em casa, a máquina de TR alternativo emitiu um alerta: havia algo urgente que ele poderia fazer antes de entregar o dispositivo ao governo. A instrução era clara: impedir uma usina que estava instável há anos e poderia explodir a qualquer momento. Se a explosão ocorresse, toxinas seriam liberadas na água, contaminando cidades e países vizinhos, tornando a região inabitável.TR viu ali uma oportunidade de salvar o mundo e decidiu agir imediatamente. Escolheu a noite para se infiltrar. Chegando à usina, encontrou uma grade elétrica bloqueando a entrada. Usando uma ferramenta de aço que se prendia ao metal, TR conseguiu derreter a grade e passar.Na entrada principal, dois guardas vigiavam o local. Ele evitou o caminho frontal e seguiu pelos fundos, onde também havia dois guardas. Subiu pela chaminé, lançando um gancho para alcançar o topo. O calor dentro do prédio era intenso e tóxico; TR vestiu uma armadura resistente e usou uma garra especial para se prender às paredes, descendo cuidadosamente. Ao entrar no interior da usina, a armadura começou a derreter.A máquina então deu instruções: vá até o painel de controle, lance um líquido que desligaria e queimaria parte do sistema, rasgue cabos para desativar tudo. TR obedeceu, manipulando fios, abrindo painéis e garantindo que os sistemas fossem contidos. Mas a próxima ordem da máquina foi mais complexa: abrir uma seção de ventilação e consertar um tubo crítico da usina, algo que os trabalhadores nunca haviam feito, pois a área estava cheia de químicos perigosos e os uniformes de proteção não suportavam o ambiente.Sem saber dos riscos reais, TR avançou. Dentro do local, um cano rompido liberava gás tóxico. Ele tentou selar a fuga com o que restava de seu equipamento, mas a saída pela tubulação era muito longa e seus instrumentos já haviam sido danificados pelo calor e pelas descargas elétricas. O gás começou a afetar seu corpo de forma intensa: a respiração ficou difícil, o peito queimava, os músculos falhavam, a visão turvou.A pérola das trevas que TR carregava começou a brilhar, reagindo à radiação e à toxidade do ambiente. Ele tentou continuar, mas estava fraco demais para andar ou agir. Caiu no chão, lutando para respirar, e olhou para a máquina: o visor dizia que o trabalho estava concluído e que o mundo havia sido salvo. Tentou pensar em alguma forma de escapar, mas a máquina entrou em erro crítico e começou a reiniciar. Quando voltou a exibir instruções, TR já não tinha força, os gases haviam tomado seu corpo.

No momento exato em que TR do futuro sucumbia aos gases tóxicos na usina, em outra linha do tempo TR do passado também encontrava seu destino. As duas mortes ocorreram simultaneamente, reverberando pelo multiverso como um estalo que rasgava o tecido da realidade.A pérola das trevas, antes apenas um objeto misterioso, reagiu de forma inédita. Ela começou a derreter junto à máquina de TR do futuro, formando uma única entidade, pulsante e obscura. O choque dessa fusão abriu um portal silencioso, uma fenda no nada, sugando ambos os TRs para dentro do núcleo sombrio.De repente, TR do passado se viu envolto num espaço sem tempo, uma escuridão líquida que respirava. Ali, a pérola não era mais um objeto: era um ser consciente, uma presença divina, antiga, que o observava de todos os ângulos ao mesmo tempo.TR do passado tentou desesperadamente voltar para o seu mundo. Ele gritava, implorava, suas lembranças se distorciam ao seu redor como fumaça. Mas a voz da pérola ecoou, profunda e inevitável que era impossivel voltarJá TR do futuro permaneceu imóvel. Seus olhos sem brilho não expressavam medo. Ele não se importava com vida ou morte. Sua existência já havia sido um peso, um fardo que um dia ele mesmo pretendia abandonar.TR do passado, no entanto, não desistia. Debatia-se contra a escuridão, tentando encontrar um caminho de volta. O ser da pérola apenas sussurrou que havia apenas 1 condição...Sem sequer ouvir qual seria essa condição, TR do passado aceitou.A escuridão pareceu sorrir.
Então será feito…A sensação que veio a seguir não era dor nem prazer, mas algo entre os dois. Como se sua alma fosse moldada por mãos invisíveis. O espaço ao redor se dobrou, e os dois TRs sentiram que algo maior do que eles havia começado um jogo que não poderiam controlar.
Após a escuridão engolir ambos, TR do futuro e TR do passado despertaram no mesmo lugar onde o TR do passado havia morrido. Mas algo estava errado: o corpo não era mais do TR do passado, nem do futuro, era um só, o corpo jovem de TR do passado, agora controlado pela mente cansada e fria do TR do futuro.Os olhos abriram, mas quem piscava não era o garoto inocente. Quem movia os braços, quem respirava fundo e erguia os pés do chão, era o TR do futuro. O passado estava preso dentro de si mesmo, reduzido a uma consciência sufocada, observando, pensando, mas incapaz de mover sequer um dedo.A ligação entre eles era cruel. Tudo o que o TR do passado pensava, o TR do futuro conseguia ouvir. Era como gritar dentro da própria cabeça sem conseguir ecoar para fora. E, ainda assim, só um tinha o poder, só um comandava.A tristeza tomou conta do TR do passado. O desespero foi o segundo passo. Ele entendia, com cada fibra da sua mente, que nunca mais poderia falar com seus amigos, nunca mais correria pelas ruas, nunca mais sorriria. Estava preso em si mesmo, condenado a assistir à sua vida sendo usada como uma marionete por uma versão quebrada e sem esperança dele mesmo.Para TR do futuro, no entanto, não havia lágrimas. Ele apenas seguia em frente, indiferente ao que havia perdido. Afinal, para ele, a vida nunca tinha passado de um fardo.“Enquanto o corpo, guiado pelo TR do futuro, caminhava em direção à praia em busca de um rumo, uma lágrima solitária do TR do passado escorreu, a última prova de que ele ainda estava ali dentro.”_ _
_ __ __ _Assim foi criado, Redler.